segunda-feira, 8 de outubro de 2007

05 a 07

Já corri de Kart. Não destes indoors, daqueles com motor 125cc, cheirando gasolina e óleo dois tempos, acho que é isso. Na verdade não foi bem uma corrida. Nem uma volta completa no kartódromo. Meu tamanho exigia uma almofada nas costas para alcançar os pedais. A frustração de não conseguir completar a pista me perseguiu por alguns pares de anos. Ainda hoje penso que poderia ter sido mais corajoso. O universo do kart me acompanhou por boa parte da minha infância, meu pai corria. Acho que alguns corriam mais que ele, mas isso não vem ao caso. A verdade é que vi corridas na rua, em kartódromos e por muito tempo tive um kart na minha garagem. Mas foi uma daquelas doces ilusões. O fascínio ali tão perto e ao mesmo tempo distante. Muitos anos depois, por ironia deste cara chamado destino, um belo kart chegou em minhas mãos, mas sem motor e rodas. Não pude aproveitá-lo muito a não ser em alguns sonhos motorizados. Até que eu corria bem. Obviamente que o automobilismo não perdeu muito com o meu despreparo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

03 e 04

Quem já não fez um avião de papel? Eu fiz vários. Mas teve uma vez que além de fazer aviões de papel, acabei colocando fogo numa mata. Felizmente nada demais aconteceu. Talvez nem fosse uma MATA de verdade, pode ser que minha visão ampliada de criança tenha provocado esta idéia. Mas lembro bem deste dia. Eu e um primo brincávamos de jogar aviõezinhos de papel de um morro quando chegou um amigo com uma caixa de bombinhas. A pólvora me seduziu mais que o papel. Lá fomos nós fazer barulho. Num destes estalos a faísca caiu no mato seco, que pegou fogo e se alastrou. Na realidade não fui o responsável por tal bombinha, mas estava junto. Obviamente não conseguimos controlar o fogo. Se nem nossa falta de tino controlávamos. Resumo da ópera: acabei embaixo da cama rezando. Não sei se ajudou, mas os bombeiros apagaram as chamas. Eu não apaguei da memória.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

02

Num Natal passado, talvez no altos dos meus sete anos, ganhei uma Caloi. Era uma bicicross, se a memória não falha era cinza com detalhes azuis. Na verdade acho que não ganhei uma bicicleta e sim uma ponta de liberdade. Em cima daquela magrela desbravei minha cidade. Não houve canto em que eu não passasse. É engraçado olhar para trás e ver as coisas vividas com os olhos de hoje. Talvez meus filhos não ganhem a mesma liberdade por conta do medo. É, parece que o que cresceu mais nestes anos foi apenas isso, o medo. Hoje temos medo de sair de casa a noite. Medo de parar no sinal de trânsito. Medo que caia um avião no quintal de casa. Medo que não haja água potável daqui um tempo. Medo. Medo. Medo. Pelas amarras do medo perdemos nossa liberdade. E nos acostumamos.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O início

Escolhi o dia de hoje, dois de outubro de 2007, para começar a narrar a minha história. E contar os meus dias também, afinal, registrar meus passos é a melhor forma de entrar para a eternidade. Outra não há. Tenho um pouco mais de trinta. Um pouco menos que Cristo. Não que me ache jovem, tampouco sênior, mas é uma idade que fica ali, no meio, entre o esperma e a morte. Teoricamente, é claro. Pois, se do final não sabemos, do início temos certeza, do meio quem poderia falar? O fiel da balança é o agora.